
Criador do termo “biodiversidade”, Thomas Lovejoy explica como o Brasil pode liderar o mundo na era da sustentabilidade
Se hoje falamos em biodiversidade, muito se deve ao biólogo americano Thomas Lovejoy, ou apenas Tom, como gosta de ser chamado. Lovejoy criou o termo "biodiversidade" na década de 1980, bem antes da Rio 92, a primeira conferência mundial da ONU – Organização das Nações Unidas que tratou especificamente dos problemas de biodiversidade e mudanças climáticas. O evento reuniu 175 países e desenvolveu a Agenda 21, uma base para que cada nação construísse seu próprio plano de preservação do meio ambiente.
Lovejoy hoje é o conselheiro-chefe de biodiversidade do Banco Mundial e orienta programas voltados para o meio ambiente. De gravata borboleta e falando um excelente português - Lovejoy trabalhou 45 anos na floresta amazônica - o biólogo veio ao Brasil para falar sobre a preservação das espécies e do meio ambiente na Conferência do Ano Internacional da Biodiversidade que ocorre nesta terça-feira, em São Paulo. Antes, conversou com o site de VEJA e explicou como e por que o Brasil poderá se tornar uma potência ambiental com um papel chave na preservação da biodiversidade mundial.
Trinta anos atrás o senhor fez uma projeção de que entre 10% e 20% dos animais estariam extintos até 2020. O senhor ainda acredita nisso?
Pode ser que demore mais, mas não muito. Se não mudarmos nossos hábitos, chegaremos lá. Mas não temos que seguir esse caminho.
O senhor acredita que estamos passando pela sexta maior extinção em massa da Terra?
Estamos no início do que poderia ser a sexta maior extinção em massa. Se continuarmos indo na direção que estamos, com certeza. Se olharmos os dados, todas as taxas de extinção estão cerca de 1.000 vezes maiores do que normalmente ocorreria.
O homem vai causar sua própria extinção?
Não, pois vivemos muito bem em condições miseráveis [risos]. Podemos dizer que a humanidade prospera onde a natureza floresce. E fizemos o experimento de mostrar o que acontece onde a natureza não floresce — o Haiti. O Haiti era a colônia mais rica da França na época da revolução americana. Seu valor era maior do que as treze colônias americanas juntas. É nessa direção que não devemos ir. Se acontecer com o mundo o que aconteceu com o Haiti, a extinção em massa já terá ocorrido.
Desde que o senhor cunhou o termo ‘biodiversidade’, muitas coisas aconteceram. O que mudou desde a década de 1980 até agora?
A biodiversidade foi elevada ao status de problema internacional. Em muitos países é uma prioridade nacional. A Rio 92 deu início a muitas medidas em todos os países. Em alguns países funcionou muito bem e em outros nem tanto. Demos passos importantes, mas ainda temos muito o que fazer.
Por que funcionou em alguns países e em outros não?
Primeiro porque é uma questão de cultura. É também um problema das instituições e dos recursos daquele país. É também uma dança política, que depende da vontade dos governos. Porém, não acho que em 1992 alguém imaginava que o mundo abrigaria tantas regiões protegidas como hoje. No entanto, muitas promessas foram feitas e nem todas cumpridas.
O que não funcionou na Eco 92 que não conseguiu impedir animais de serem ameaçados da extinção?
O maior fracasso foi a promessa de dinheiro. Na ocasião fizeram muitas promessas de recursos que não foram cumpridas. Tudo foi construído no sentido de arrecadar assistência financeira para os países em desenvolvimento.
Muitoo legaal.
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